Comprar um carro: necessidade de vida ou de status?

Tempo de leitura: 5 minutos

Comprar um carro necessidade de vida ou de status

Responda de uma maneira bem sincera: por que você tem ou quer comprar um veículo? É realmente uma questão de necessidade básica, de transporte para você e sua família?


Poucos bens de consumo são tão desejados como o carro ou moto próprio. Também são raros os bens de valor tão elevado, sobretudo no Brasil, em que podemos aportar o nosso suado dinheiro. Um carro próprio traz inúmeros benefícios para seu proprietário. Comodidade, conforto e praticidade são alguns deles. Sem contar o tal “status”, buscado por muitas pessoas que adquirem um carro novo. Não há nada de errado nisso, a princípio. Embora em intensidades diferentes, todos temos necessidade de pertencermos a um grupo, de nos sentirmos e sermos reconhecidos como profissionalmente bem-sucedidos. Estes sentimentos e percepções estão ligados a ter um carro próprio.

O problema reside quando o desejo de status não é compatível e proporcional à situação financeira do proprietário do automóvel. Nesta situação, comprar um carro deixa de ser uma escolha razoável, podendo passar a comprometer a renda e o patrimônio familiar. Comprar um carro não é, nem de longe, uma escolha cem por cento racional. Mas isso não quer dizer que devemos cometer irracionalidades, colocando o “status” acima de nossas possibilidades financeiras.
Benefícios de comprar um veiculo


Deixemos a questão do status de lado, por enquanto. É evidente que existem fatores mais racionais envolvidos em comprar um carro. Embora haja opções de transporte público, quase nunca oferecem a conveniência de ligar o carro na garagem e sair. Esta situação se torna ainda mais evidente caso você tenha pessoas que inspiram maiores cuidados dentro de casa, como doentes, bebês ou idosos. Consideremos também que, salvo raras exceções, as condições de transporte urbano no Brasil são sofríveis: inconvenientes como o horário de funcionamento, superlotação, sujeira, riscos de segurança e calor são frequentes. Existem também as opções de transporte privado, como os taxis e Uber (que não opera em todas as cidades). Embora mais convenientes que o transporte público, são mais caros. E perdem em comodidade para o carro próprio: além do tempo de chegada do veículo, você tende a andar sempre com um desconhecido. Quando o carro é seu, você pode escolher as características do veículo. Somado ao controle de manutenção do veículo por conta própria, pode permitir um maior controle sobre a sua segurança. Por estes motivos, o carro próprio permite conforto, liberdade e segurança, sendo provavelmente a melhor opção para você fazer a viagem de férias com a sua família.


O Status de comprar um carro
Deixamos, então, os fatores racionais de lado. Esquecendo do problema de segurança, uma charrete poderia nos levar de um lado para o outro – que é a função básica de um veículo, afinal de contas. Mas você não tem uma charrete. Talvez nem tenha ou esteja pensando em comprar um carro muito velho também. Nem você e nem eu. Admitindo ou não, queremos comprar um carro como uma forma de recompensa pessoal pelos esforços de nosso trabalho. Literalmente, é um “auto-presente”. O problema é que não basta que nós próprios, proprietários dos automóveis, reconheçamos o esforço desprendido na compra do automóvel. É preciso que as pessoas também reconheçam isso, para que a satisfação do nosso ego esteja completa. Se morássemos em uma ilha deserta, provavelmente não compraríamos um carrão para sair desfilando pelas estradas por aí. Estranho, mas faz sentido, não é? O carro é um bem posicional: é um cartão de visitas da pessoa que o detém, podendo ser visto mesmo a distância ou em movimento, pelas ruas e estacionamentos da cidade. É uma tentativa de autoafirmação da pessoa que possui o carro. Claro que esta experiência de julgar o sucesso de si próprio ou de outros motoristas, baseando-se apenas no carro que possuem, é extremamente superficial.


Precisamos de um carrão para nos considerarmos como bem-sucedidos? O dono da “máquina” de correr é realmente financeiramente bem-sucedido – ou será que se endividou para comprar o carro? Será que ele comprou com dinheiro lícito? Enfim, nada disso deveria ser usado (como fator isolado), para julgar as pessoas ou mesmo como fator decisivo para comprar um carro. Como as pessoas ganham dinheiro e o que fazem com ele são circunstâncias que não nos dizem respeito. E reconheçamos: não seremos bem-sucedidos apenas por ter comprado um carro novo. É uma maneira de enganarmos a nós próprios. E os fabricantes de veículos sabem desta relação fortíssima entre carro e status, sobretudo na mente (e no coração) do consumidor brasileiro. Você já deve ter reparado na temática da propaganda das montadoras de veículos. Em várias delas, existe um homem de terno, com uma mulher linda ao seu lado. A ideia é associar o casal, feliz e bem-sucedido, à compra do carro em questão.
Alguns bordões destas propagandas que comprovam isso: “O carro para quem chegou lá”, “Você merece…”, “você pode…”, “retome o que é seu por direito”…


O mais grave desta associação carro/status, é o preço dos carros no Brasil. Sim, os impostos tupiniquins estão entre os maiores do mundo. Mas será que os altos preços são justificados unicamente pelos impostos? Tudo indica que não. Como carros são bens que refletem status e luxo, justificam-se os preços altos dos veículos no Brasil, já que isto os tornam ainda mais exclusivos e inacessíveis a grande parte da população. Embora impliquemos com o preço das bolsas das mulheres, parece ser nós, os homens, os mais propensos a associar carros com status. Dizem que não crescemos, os nossos brinquedos é que ficam mais caros.

GUIA CURSOS EAD – Site com os melhores conteúdos do mercado digital.

FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO DE VENDEDORES DE VEÍCULOS – Curso de formação de novos vendedores de veículos

VEICULOCERTO.COM – Site de classificados de veículos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *